Pequeno, fraco, atrapalhado, curioso e muito carinhoso. Ele não luta, não decide, não entende o mundo, não dá conselhos sábios. As vezes fala quando deveria ficar em silêncio, as vezes fica desatento quando deveria fazer algo. Mas nunca abandona.
Suas patas são brancas como se tivessem sido mergulhadas em nuvem. E seus olhos carregam uma curiosidade que nunca se cansa.
O gatinho cresce junto com o jogador. Conforme o jogador amadurece, o gatinho também muda. Talvez fique mais silencioso, faça menos perguntas bobas ou em algum momento se separe de forma natural. O Gatinho nunca evolui em poder, ele evolui em significado.
Um gato listrado marrom de aparência comum, ele anda pelos muros quebrados como se sempre tivessem sido assim. É antigo e observador, nem sempre paciente. Não gosta de visitas apressadas.
Não deve ser simpático de imediato, respeito leva tempo para conquistar, ele testa a paciência e escuta intenção.
Possui grande poder mágico, mas raramente o demonstra. Quando usa magia algo se rearranja: um caminho aparece, um perigo se afasta, sem grande barulho, sem grande estardalhaço. Ele domina tanto a arte da magia que a faz de forma simples, de como quem lambe os bigodes após uma refeição. Nunca faz isso para facilitar, faz para preservar o equilíbrio.
Azeitona não proíbe nada, ele alerta. Não é vilão mas também não é guia. É o tipo de guardião que ensina pelo incômodo, e quem aprende a respeitá-lo nunca o esquece.
No mapa existe um reino antigo, ou melhor, existia. Suas torres estão partidas, as casas foram tomadas por raízes, pontes quebradas agora servem de abrigo. A floresta cresceu por dentro do que foi construído, e o reino não desapareceu, ele apenas mudou de dono.
Hoje quem vive ali são animais que falam pouco, criaturas pequenas e curiosas, seres que aprenderam a morar entre as ruínas. Eles não tentam reconstruir o passado, eles convivem com ele.
Aqui o jogador pode aprender sobre paciência e cuidado com os mais vulneráveis.
A biblioteca é cuidada por uma criatura cujo nome raramente é dito, ela é conhecida apenas como A Leitora. Seu intelecto é tão imenso quanto seu tamanho, mas sua presença é tranquila e não oferece perigo.
Lê todos os dias e nunca se apressa. Conhece histórias que ninguém mais lembra. Não busca visitantes, mas os recebe. Não entrega respostas prontas, ela oferece um livro certo, uma pergunta antiga, um silêncio necessário. As vezes indica uma página, outras vezes fecha o livro.
Ela ensina lógica, memória, linguagem. Mas não consegue ensinar empatia, carinho e afeto.
Onde o mundo fica quieto nos confins do mapa, em uma região de frio constante, existe uma torre feita de gelo antigo que não derrete. Dentro existe uma biblioteca com milhares de livros, alguns escritos, outros gravados em pedra, alguns não têm palavras. Ali o som é baixo e o tempo anda devagar.
Alguns livros só podem ser lidos uma vez, mudam conforme quem lê, não fazem sentido no começo. Um livro pode reaparecer anos depois com outro significado.
Catarina não é uma personagem comum. Ela não acompanha o jogador, não vive em cidades e não responde a chamados. Sua presença é efêmera, ela existe entre os momentos. É conhecida como A Guardiã do Desvelar, não porque abre caminhos, mas porque reconhece quando alguém está pronto para vê-los.
Ela percebe coisas simples que passam despercebidas por outros. Nota silêncios, repetições, pequenas escolhas. As vezes repete uma frase não porque esqueceu, mas porque o jogador ainda não compreendeu o sentido.
Ela fala pouco e quando fala faz perguntas simples, usa poucas palavras, deixa espaços de silêncio. Ela nunca responde diretamente. Ela não explica o mundo, ela o revela.
Um jeito diferente de perceber as coisas, a beleza do tempo próprio, a profundidade da simplicidade. Ela não muda o mundo, muda como o mundo é visto.
Uma ponte que o jogador não pode atravessar para ver o que existe do outro lado. Esse local pode ser usado para conversar com a criança sobre perdas afetivas: um parente, um amigo, um animal de estimação.
O outro lado existe, mas não é um lugar para onde se vai. É um lugar para onde se olha.