O mundo e seus habitantes
Personagens e locais
Os personagens deste jogo não existem para vencer batalhas. Existem para acompanhar o crescimento do jogador. Nem todos aparecem desde o início, alguns só podem ser encontrados quando chega a hora.
Nesta página Gatinho Azeitona e o Reino A Leitora e a Torre Catarina Ponte da Saudade
O Gatinho de Patas Brancas
O primeiro amigo do jogador

Pequeno, fraco, atrapalhado, curioso e muito carinhoso. Ele não luta, não decide, não entende o mundo, não dá conselhos sábios. As vezes fala quando deveria ficar em silêncio, as vezes fica desatento quando deveria fazer algo. Mas nunca abandona.

Suas patas são brancas como se tivessem sido mergulhadas em nuvem. E seus olhos carregam uma curiosidade que nunca se cansa.

O gatinho cresce junto com o jogador. Conforme o jogador amadurece, o gatinho também muda. Talvez fique mais silencioso, faça menos perguntas bobas ou em algum momento se separe de forma natural. O Gatinho nunca evolui em poder, ele evolui em significado.

Habilidade especial
Comunica-se telepaticamente com o jogador. O adulto dá voz ao gatinho. Por meio dele surgem convites, nunca ordens.
O Gato Azeitona
Protetor das Ruínas

Um gato listrado marrom de aparência comum, ele anda pelos muros quebrados como se sempre tivessem sido assim. É antigo e observador, nem sempre paciente. Não gosta de visitas apressadas.

Não deve ser simpático de imediato, respeito leva tempo para conquistar, ele testa a paciência e escuta intenção.

Possui grande poder mágico, mas raramente o demonstra. Quando usa magia algo se rearranja: um caminho aparece, um perigo se afasta, sem grande barulho, sem grande estardalhaço. Ele domina tanto a arte da magia que a faz de forma simples, de como quem lambe os bigodes após uma refeição. Nunca faz isso para facilitar, faz para preservar o equilíbrio.

Azeitona não proíbe nada, ele alerta. Não é vilão mas também não é guia. É o tipo de guardião que ensina pelo incômodo, e quem aprende a respeitá-lo nunca o esquece.

Falas possíveis de Azeitona
"Você anda rápido demais. Observe mais."
"Se eu não fizer a coisa desanda, e eu não quero lidar com isso depois."
"Veja, eles são frágeis. Tem que ter alguém menos frágil por perto."
"Eu não escolhi esse trabalho, então não me peça animação."
Reino em Ruínas

No mapa existe um reino antigo, ou melhor, existia. Suas torres estão partidas, as casas foram tomadas por raízes, pontes quebradas agora servem de abrigo. A floresta cresceu por dentro do que foi construído, e o reino não desapareceu, ele apenas mudou de dono.

Hoje quem vive ali são animais que falam pouco, criaturas pequenas e curiosas, seres que aprenderam a morar entre as ruínas. Eles não tentam reconstruir o passado, eles convivem com ele.

Aqui o jogador pode aprender sobre paciência e cuidado com os mais vulneráveis.

Como o acesso acontece
O caminho se revela quando o jogador demonstra respeito por criaturas menores, aprende a observar antes de agir e aceita que nem todo lugar existe para ser conquistado. O adulto decide quando o acesso acontece.
A Leitora
Guardiã da Biblioteca

A biblioteca é cuidada por uma criatura cujo nome raramente é dito, ela é conhecida apenas como A Leitora. Seu intelecto é tão imenso quanto seu tamanho, mas sua presença é tranquila e não oferece perigo.

Lê todos os dias e nunca se apressa. Conhece histórias que ninguém mais lembra. Não busca visitantes, mas os recebe. Não entrega respostas prontas, ela oferece um livro certo, uma pergunta antiga, um silêncio necessário. As vezes indica uma página, outras vezes fecha o livro.

Ela ensina lógica, memória, linguagem. Mas não consegue ensinar empatia, carinho e afeto.

O limite do conhecimento
Ela conseguiria descrever com exatidão todas as peças e o funcionamento de um relógio, e o significado de tempo atrelado a esse objeto. Mas não conseguiria compreender a relação que o tempo tem com saudade.
Biblioteca da Torre de Gelo

Onde o mundo fica quieto nos confins do mapa, em uma região de frio constante, existe uma torre feita de gelo antigo que não derrete. Dentro existe uma biblioteca com milhares de livros, alguns escritos, outros gravados em pedra, alguns não têm palavras. Ali o som é baixo e o tempo anda devagar.

Alguns livros só podem ser lidos uma vez, mudam conforme quem lê, não fazem sentido no começo. Um livro pode reaparecer anos depois com outro significado.

Como usar no jogo
Na Biblioteca, fale mais baixo, descreva devagar, dê espaço entre frases. Não transforme o lugar em aula. Deixe a criança sentir o peso do conhecimento.
Catarina, a Guardiã do Desvelar
A que reconhece quando alguém está pronto

Catarina não é uma personagem comum. Ela não acompanha o jogador, não vive em cidades e não responde a chamados. Sua presença é efêmera, ela existe entre os momentos. É conhecida como A Guardiã do Desvelar, não porque abre caminhos, mas porque reconhece quando alguém está pronto para vê-los.

Ela percebe coisas simples que passam despercebidas por outros. Nota silêncios, repetições, pequenas escolhas. As vezes repete uma frase não porque esqueceu, mas porque o jogador ainda não compreendeu o sentido.

Ela fala pouco e quando fala faz perguntas simples, usa poucas palavras, deixa espaços de silêncio. Ela nunca responde diretamente. Ela não explica o mundo, ela o revela.

Um jeito diferente de perceber as coisas, a beleza do tempo próprio, a profundidade da simplicidade. Ela não muda o mundo, muda como o mundo é visto.

Quando aparece
Na noite mais longa do ano, após uma falha importante, quando o jogador escolhe não agir, ao revisitar um lugar antigo com outro olhar. O adulto não anuncia sua chegada. A presença é sentida antes de ser vista.
Ponte da Saudade
Uma travessia que não se atravessa

Uma ponte que o jogador não pode atravessar para ver o que existe do outro lado. Esse local pode ser usado para conversar com a criança sobre perdas afetivas: um parente, um amigo, um animal de estimação.

O outro lado existe, mas não é um lugar para onde se vai. É um lugar para onde se olha.

Como usar com cuidado
Este local não precisa ser visitado cedo. O adulto decide quando e se o momento é certo para essa conversa.